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*ALMIR PAZZIANOTTO PINTO, O Estado de S.Paulo

Matelassê Quality 003 Shoes Quality Tênis Tênis 003 Flatform Shoes Flatform Matelassê Bege 25 Maio 2018 | 03h00

A crise que assola o País, vítima da corrupção, da incerteza econômica, do desemprego, favorece a proliferação de demagogos. Demagogo, segundo os dicionários, é quem, por meio da retórica vazia, simula estar comprometido com as necessidades do povo. Discorrendo sobre propostas artificiais, tenta levar os desavisados a acreditar no impossível.

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A História é farta de demagogos, cujas promessas foram abandonadas assim que alcançaram o ambicionado poder. Não citarei nomes, para não pecar por omissão. Basta, entretanto, rápido olhar lançado às últimas eleições no Brasil para nos convencermos de que a ousadia pode ser bem-sucedida quando a massa se deixa engabelar por vagas promessas de retirá-la da miséria. Tivemos demagogos cultos e semianalfabetos, ricos e pobres, filhos de famílias tradicionais ou da periferia. Entre eles o traço comum consiste na habilidade de fazer o incauto acreditar no poder mágico das palavras. Nenhum tem a coragem de dizer que a extirpação da pobreza depende de trabalho honesto, diuturno, da capacidade de escolha, se não do melhor do menos mau dos candidatos.

Entre os postulantes à Presidência da República destaca-se, pela impetuosa fúria demagógica, o sociólogo desempregado Guilherme Boulos. Originário da classe média, escolheu fazer da liderança dos sem-teto seu meio de subsistência. Até aí, nada a dizer ou criticar. Trata-se de livre opção de vida. A questão está no fato de usar a demagogia como plataforma de campanha e instrumento de conquista do poder.

Quem o viu no Roda Viva, programa da TV Cultura (7/5), deve ter-se espantado com a facilidade com que discorreu sobre a solução dos profundos e enraizados problemas econômicos e sociais brasileiros. Segundo Boulos, o resgate da miséria depende apenas do desejo. Basta reformar o Estado, a política habitacional, a agricultura, os sistemas de saúde, educação, segurança, transporte, as instituições financeiras. Como empreendê-las, segundo o figurino inspirado na Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, é questão de somenos importância. Talvez acredite o sociólogo que o Poder Legislativo e o Poder Judiciário não lhe serão empecilhos e que governará como imperador dom Guilherme, e não como presidente de República Federativa regida pela Constituição.

Entregar a chefia do Poder Executivo a alguém é ato de coragem, que exige elevado grau de responsabilidade. Após assumir a Presidência da República caberá ao eleito administrar o Tesouro Nacional, nomear ministros de Estado, exercer o comando das Forças Armadas, editar medidas provisórias, conceder indultos e comutar penas, manter relações com Estados estrangeiros, designar os ministros dos tribunais superiores e o procurador-geral da República, escolher o presidente do Banco Central, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal. Desempenhar, enfim, as atribuições que lhe cabem de conformidade com o artigo 84 da Constituição. Investido de competência para exercer a direção superior da administração federal, o presidente da República dispõe de amplos poderes. Dentro do raio de ação que lhe traça a Lei Superior, poderá agir bem ou agir mal. Que o diga Dilma Rousseff, para citar exemplo recente de administração federal caótica.

“As mais claras águas podem levar, de enxurro, alguma palha podre”, escreveu Machado de Assis em O Velho Senado. Dito de outra maneira, mesmos partidos políticos integrados por incorruptíveis varões e viragos podem ocultar, entre as fileiras, o incapaz, o perdulário, o autoritário, o insano, cuja verdadeira face se revelará quando menos se espera.

Quem prestar atenção ao que ele diz, perceberá que Guilherme Boulos não aponta a solução pelo trabalho. O caminho indicado é o da expropriação e da violência. Despreza dezenas de milhões que fizeram a opção bíblica de ganhar o pão de cada dia com sacrifício e o suor do rosto. Como todos os demagogos populistas, debita ao governo a responsabilidade de dar o terreno, construir a casa confortável, fornecer água, luz, telefone, alimentação, tudo com o dinheiro de quem trabalha, isto é, de quem abastece o Tesouro Nacional com o pagamento de pesados impostos. Aquele que ainda tiver dúvidas sobre a formação autoritária do candidato e do seu partido deverá ler recentes edições da revista Socialismo e Liberdade, divulgadas na internet.

As pessoas têm direito à saúde, à educação, à segurança, ao transporte, ao trabalho, ao lazer, à Previdência Social. Não podemos esquecer, porém, que não é tarefa do Estado gerar empresas, empregos, salários, riquezas. Por ser a Casa da Moeda instituição pública, de propriedade do governo, não significa que lhe seja permitido emitir moeda inflacionária e falsa. Logo, para que a sociedade goze de oportunidades para satisfação das necessidades e aquisição de supérfluos é indispensável que a iniciativa privada seja estimulada e protegida, e não espoliada e aniquilada.

A multiplicidade partidária enseja a multiplicação de candidatos, financiados pelo Fundo Partidário e pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que somados atingiriam o valor de R$ 2,5 bilhões. O regime democrático, descrito na Constituição de 1988, permite a candidatura à Presidência da República, ao governo dos Estados, às prefeituras e a órgãos do Poder Legislativo de pessoas cujo projeto político, examinado nas linhas e entrelinhas, encerra proposta de acabar com o regime democrático e nos impor ditadura do modelo marxista-leninista. Mas, ao optar pela ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre-iniciativa, a Assembleia Nacional Constituinte rejeitou as doutrinas adversárias da propriedade privada, da liberdade de trabalho, do lucro, da liberdade de imprensa.

Shoes Bege Matelassê Quality Tênis Matelassê Quality Flatform 003 Tênis Flatform 003 Shoes Com demagogos, todo o cuidado é pouco.

*ADVOGADO. FOI MINISTRO DO TRABALHO E PRESIDENTE DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

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